Estava esperando o caixa do banco me
atender. O ar-condicionado do ambiente era glacial. Na minha mente,
já via saindo umas asas, bico e pés de pinguim. Ri sozinha da
imagem que me veio a cabeça.
Ele falava aos borbotões com os
clientes, ávido por vender os produtos do banco. Fascinante. Quase
um comerciante judeu com a loja em liquidação.
Estava enfiando os produtos goela
abaixo.
Enquanto eu aguardava pacientemente
como uma monja a minha vez de ser atendida, arrepiava-me do frio. Um
rapaz ao meu lado que me olhava de soslaio desde quando comecei a rir sozinha, estava meio apavorado. Será que era porque eu estava rindo sozinha ou porque estava de calção
e tomara-que-caia?
Observei que até eu ser atendida,
cada um que passava ficava minutos a fio no confessionário em frente
ao camarada bancário. O tom da conversa ia diminuindo a medida em
que a situação do confessante ficava crítica. E o confessor dava a
sentença, quase sempre, neste dia, favorável ao endividamento do
pedinte.
Na minha vez?
Antes de me sentar ele já havia me
dado a resposta que eu pedira.
Simples assim.
Esperei 40 minutos pra ter um de
atenção.
Que tempo caro, o desse homem!

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