quarta-feira, 29 de julho de 2009

Síntese

Somos eternos aprendizes.
A cada dia aprendemos mais, seja em qualquer área.
Basta observar. Admiro pessoas observadoras.
Elas conseguem adquirir conhecimento e experiência sem fazer esforço.
É como se fosse natural, um dom, algo próprio do indivíduo.
Possuem alto poder de síntese.
Numa época em que tudo evolui com incrível velocidade, sintetizar é fundamental.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Silêncio



A calça vincada e o sapato preto.
Teu corpo me chama e eu grito que te quero.
Mas meu grito é de silêncio,
pudico, casto.
Mulher decente não sente, apenas consente.

Às favas, decência decrépita!
Quero teu corpo
Nu
colado no meu,
Teu suor, meu suor,
Nossos líquidos.

Uma só emoção.

Se o gozo não for uma virtude, não sei mais o que é.

Perdi os conceitos
Ruíram-se todos,
sobrou apenas o
SENTIR!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Aquarela terciária



Na primeira hora da manhã vejo o céu ciano,
Teus cabelos sienite e teu batom coral.
Magenta, Fúcsia, Rosa-choque ou Carmim, revelando tua sensualidade.
Uma paixão resumida em cor safira
Neste outono de sépia matriz,
Onde enxofre chama alguns amigos para em pólvora se transformar.
Agarrado a minha fada verde embriagante, absinto, e licor de canela com açafrão...
Alívio imediato para o pânico, turquesa.

Alabastro quando bem tratado, mármore se faz.
Ilusão de ótica que me confunde
Que nem um certo tom âmbar da iluminação noturna.

Tal qual lariço, perto do céu, te encontrei.
A ninfa que de Baco escapou, Ametista, é o amuleto do poeta.

Prefixos


"Meus planos hiperbólicos hipossensatos me fazem abdicar da ínfima chance que eu teria de te possuir."

sábado, 18 de julho de 2009

Meias


Recomecei a usar roupas que já havia posto na sacola para doar. Antes velhas, fora de moda e agora tão atraentes e necessárias.

Será que estou me aceitando com meus próprios defeitos?

As meias sem par estão aos poucos casando-se novamente. Uma meia gasta no calcanhar encontrou-se com seu par furada no dedão. Tirei-a da sacola e as cerzi, afinal ficam mais confortáveis com o passar do tempo.

Velhas meias e manias dão lugar a novos sorrisos e olhares de tolerância e gratidão.Tem uma meia velha sobrando aí?

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Dick Vigarista

A partir de hoje, eu e meu fiel escudeiro Mutley, vamos fazer parte deste blog, comentando os contos, as poesias, os sonetos de Penélope Balzachiana.

Muro de Berlim


Eu te faço em poesia e tu me desfaz em ironias

Ri encancaradamente do meu repertório e o chama de mela-cuecas.

Atribuis a mim atitudes devassas, Pareces não perceber que isso é um Muro de Berlim

que construí dentro de mim para me proteger das investidas fúteis.


Estás confiando muito na aparência primitiva das coisas e te esqueces das aulas de Filosofia.

Eu sou mais do que isso. Sou comum nas expectativas e complexa nos sentimentos.

Quero amar, respeitar, pertencer à alguém.


Não sou essa doida-louca em que me metamorfoseio para te chamar a atenção.

Sou sim, um misto de menina e de receios, que parece ser o produto do que te afasta de mim.

Não sei como vou provar-te que sou melhor do que tu pensas,

Quero que saibas apenas que quero dar-me a conhecer por ti.

"Quando um homem ama uma mulher, não a deixa perecer."

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Assassino




A professora de Português chegou num bar, primeiro encontro com um rapaz da internet, sempre com webcam.
Percebendo a demora, mandou um torpedo para o celular dele dizendo assim:
"Linda, loira e cheirosa... Estou te esperando."
Ele respondeu:
"Naum sai dai."
Ela sem entender, pensou:"Deve ser um mantra indiano para se ter bons encontros".
Minutos depois, relendo a mensagem, entendeu o recado:"Não saia daí".
Pegou a bolsa e respondeu em torpedo:
"Mi dixculpi, odeiuu jenti ki ixcrevi axim."
Foi embora ponderando:
"Chegar atrasado, sem problemas, mas assassinar a Língua Portuguesa nem pensar!"

Professora



Eu estava explicando os tempos verbais para meu sobrinho que está na quarta série e ele disse:
- A "sora" tava dando isso pra gente!
Nisso, meu filho que estava no pátio da casa, passou correndo por perto e me disse, enciumado pelo papo acirrado que estávamos tendo, metendo-se no meio de nós:
- A minha professora também meu deu e eu comi tudo, tudinho!.

Ponto final



Quando te vejo minhas certezas se desbotam.
Meu raciocínio lógico me trai, e de repente acho que tu és o meu ponto final.
Será?
Já me senti assim em diversos momentos da minha vida, depois o tempo sarou minhas feridas e alcei outros voos.
Agora deparo-me contigo e mais uma vez sinto ruir toda a minha aparente sólida estrutura de mulher que levei anos para construir.
Afinal, quem és, bandido?

Filosofia



Gosto mais de ti do que me permite minha vã filosofia.
Penso tanto em ti que às vezes tua lembrança se desbota.
E teu velado desleixo sobre o que sinto me deixa nua e só.
Quero teu colo e me ofereces palavras frias, sem paixão, sem coração.
Quero-te em mim e quando te sinto, teus olhos estão longes e indiferentes.
Isso é amor?

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Falologocentrismo



Falo: pênis
Logo ou Logus: do Grego: Significa Ciência e derivados, algo como "estudo";
Centro: algo que está sempre em evidência, ou no eixo de rotação - a terra gira sobre si mesma – movimento de rotação.

O homem falologocêntrico é aquele que pensa que o mundo gira em torno do seu pênis e só a ele reverencia em detrimento de outras coisas. É o típico homem que pensa somente no seu prazer, no seu centro, na saciação dos seus desejos mais ID, mais primitivo, mais irracional, mais corpo, menos mente.
O homem deve, então, buscar uma paridade entre falo X encéfalo para que nenhum se sobreponha ao outro. Algo meio moderado, que é onde reside a virtude das coisas.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Soneto da Sedução



Teu perfume é o prenúncio da tua presença.
E mesmo antes de te ver,
sinto o ar se condensar diante de tua imponência.
Vou a passos ansiosos repassando mentalmente o que quero te dizer,

Mas quando te vejo, teu olhar me despe,
E eu sinto ruir todas as palavras que havia ensaiado para te dizer,
já que nenhuma delas parece conter
a profundidade do que sinto neste momento.

Teu beijo termina então, com o que resta das minhas defesas,
e assim, apossado das minhas trincheiras,
sinto-me languidamente nua e vencida.

Por fim quando me tomas, esqueço-me do mundo que nos rodeia e
desejo somente sorver teus beijos e me
sustentar com teu amor.

Convite para o amor



Quero sentar-me no teu colo;
Enlaçar tua cabeça com meus braços;
Sorver dos teus lábios um beijo cúmplice
Quero que me provoques para te chamar de meu amor.

Quero ouvir teu deleite
Pedir que me toques
Sentir o poder fálico da tua penetração a
Acariciar minhas entranhas.

Quero me sentir a alfa e a ômega,
Quero ser única
Quero ser tua.

Mas não deixe para depois,
Quero me lembrar dessa volúpia e
Reviver cada momento em meus pensamentos quando te fores.

DESCONTRAÇÃO PÓS-EXPEDIENTE



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Queria sair com meu namorado, mas não deu. Ele trabalhara muito e foi pra casa.

E acabei indo ao shopping plantar batata (literalmente plantar batatas, só que na minha “bela” barriguinha) com uma amiga de serviço, espairecer e falar mal da vida alheia que é o prato principal de duas mulheres cansadas de trabalhar e com raiva dos homens.

Enquanto ela tomava chopp, eu bebia coca-cola. Conversamos, rimos, gargalhamos e quase choramos, catarse completa.

O papo foi bom pra alma, o amido com o gás foi bom só para os flatos.

Cheguei tarde na casa da minha mãe que ficou de babá, saí correndo, fui pra casa.

Dormi mal com os flatos saindo cólon abaixo e com arrotos (ops, desculpa...eructações...sou letrada....) de porco duróqui. Estava um exaustor eólico completo: por cima e por baixo!

Levantei tarde com a cara inchada por causa do sal das @#$%@#$% das batatas, não deu tempo de tomar nem um café pra acordar, só lavei rapidamente minha carçaca (ops de novo...sem palavras de baixo calão...sou letrada), e sai puxando meu filho pra escola em cima de um salto 12 cm e com um vestidinho jogado no corpãozil.

Para minha surpresa e deleite, muita gente ficou me olhando.. Rapidamente, pensei:

- São minhas belas pernas...

Quando me olhei, percebi que estava com o vestido do lado do avesso. Mas ele é tingido e a única diferença do avesso pro direito é a bendita costura da overlock que eu não vi porque nem me olhei no espelho. Para meu desespero, já que o coletivo não espera, entrei no banheiro feminino da escola e desvirei rapidamente o vestido.

Enfim...quando entrei no ônibus, o meu pronome possessivo em voga o TEU estava sem crédito. Paguei a passagem depois de procurar dez reais com o coração na mão, já que é raro ter dinheiro na bolsa.

Sentei-me feliz e contente...a barra do vestido pegou xixi no chão do banheiro da escola...

E foi assim que cheguei no serviço: devidamente mijada para comemorar o Dia Internacional das Mulheres, pois eu poderia não ter amigas para o fim da tarde, poderia não ter pernas nem pés para usar salto alto, poderia não ter vestido para usar, poderia não poder ter filhos, poderia não ter emprego...

Preferi escolher agradecer pelo que tenho do que reclamar pelas adversidades do dia.

Para mim, isso é ser feliz!




sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sexo Cristão

Penso o tempo todo em sexo.
Acho que isso me distancia de Deus.
Como é difícil ser santa!
Aprendi na minha infância que devemos andar sempre em comunhão com
Deus, já que ele é nosso amigo verdadeiro.
Mas quando penso no prazer voluptuoso do sexo, fico incomodada em ter
Cristo compartilhando isso comigo.
Deixo-o lá, no lugar incorruptível que é meu coração, para só chamá-lo em caso de necessidade.
Não quero misturar meu Cristo com volúpia.

Quero-o imaculado, sem que ele tenha presenciado meus desejos de mulher.

Brinquedos



Estou me sentindo infinitamente só e infeliz.

Não quero mais ser gente grande.

Quero de volta meus brinquedos, plagiando Mário Quintana.

Quero acordar sem ter que sair.

Se tiver que sair, não quero que seja para trabalhar,

Matar um leão.

Quero passear, não quero decidir.

Estou cansada de resolver,

pagar, comprar e ter que saber que alguém
depende de mim.

Quero apenas viver e ter uns momentos a sós comigo mesma

e se me der vontade, beijar na boca, namorar,

seduzir e gozar do prazer de ser desejada.

Objeto direto



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Estou me sentindo, mais uma vez,
perdida.
Quero e não tenho...
e nem sei o quê.
Olho para minha vida e acho-a
modorrenta,
empoeirada,
sem brilho,
sem glória.

Meu espetáculo sou eu e não tenho platéia.
Não vejo propósito nobre na minha vida.

Estou cansada de ser objeto direto: algo, alguém ou alguma coisa.
Seria muito querer apenas viver
sem ficar dando explicações o tempo todo a todo mundo?

Quando estou sem amor, culpo-me por isso,
e ao encontrá-lo acabo por me cansar dele.
Não sei quem quero e por mais racional que eu tente ser, os
critérios que estabeleci parecem se desbotar e perdem o sentido quando os alcanço.