quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Decálogo de desovas de amor

Aprendi que
1 - segunda Glória é sempre maior do que a primeira;
2 - Deus põe pessoas boas no caminho de quem é bom e as merece;
3 - ninguém fica com quem não gosta;
4 - cada um que acha sua cara-metade, a mantém pelo fato de admitir e tolerar defeitos e virtudes;
5 - relacionamentos são construções que paulatinamente se desenvolvem;
6 - amar é um exercício de conhecimento mútuo, de respeito e admiração;
7 - devo ter e dar privacidade;
8 - contas bancárias separadas são uma bênção;
9 - filhos devem ser criados dentro de uma família, não importa o formato dela;
10 - homens são maravilhosos para mulheres maravilhosas...

E EU SOU!!!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

sem título

Os cabelos compridos e sujos estavam colados à cabeça molhados de suor e de oleosidade.
A pele meio amarelada dava um aspecto de sujeira, de sombra, que contribuía para que o olhar ficasse desesperançoso e sem vida.
O corpo magro trajado de andrajos rotos estava em sintonia com o cheiro que dele emanava. Borrasca de cigarro. Às vezes de palha, às vezes doado por algum transeunte apiedado e solidário. Os dedos amarelecidos do tabaco davam um destaque ao nó dos dedos magros pela fome da rua.
O calor daquele dia era de quarenta graus na sombra.
Sede. Muita sede. Sede de água fria, gelada, sede de vida.
Chegou no restaurante e pediu um copo de água. Não foi ouvido.
O atendente continuou a esfregar as mesas com álcool gel como se não houvesse ninguém ali.
De novo ele pediu:
- Moço, tu me dá um copo de água, por favor?

Uma senhora que fazia um lanche, deu um olhar de soslaio para o atendente que saiu contrariado pra dar-lhe água. Deu da torneira. Quente, quase fervendo. Os canos ficavam do lado de fora e os primeiros litros de água que saíam estavam quentes do sol escaldante.

Não teve pena do andarilho. Que se rale, quem mandou não estudar, pensou vingativo.

Depois de beber a água quente, que, além de não refrescar, desceu rasgando a glote, o andarilho disse:

- Sabe moço, uma vez eu participei de um grupo de pesquisa que media a felicidade humana. Sou antropólogo, tu sabe o que é isso?
O atendente fez um esboço de admiração, depois voltou para seus afazeres de ouvido em riste.

- Eu era antropólogo...corrigiu o mendigo. Me deixei levar pelas coisas práticas da vida e me sobrou somente a rua. Eu também era um esnobe. Eu também não tinha paciência com as pessoas. Eu era prático.
- Na rua eu tinha liberdade. Em casa, não. Na rua eu era admirado pelos meus títulos, em casa não. Na rua eu era cumprimentado com entusiasmo. Em meio à pesquisa, envolvi-me com temas mais complexos e comecei a racionalizar sobre eles. Me perdi nos meus conceitos. Daí perdi o emprego. Depois, a mulher e os filhos. E só me sobrou a rua. E agora, tu me dás um copo de água quente pra eu beber por que não me queres aqui, para que eu vá embora por que eu exponho o que pode ser o futuro de muitos homens: a sarjeta. Sou uma chaga da sociedade. O que você sabe sobre miséria humana pra me julgar e me querer longe do teu comércio?

O atendente se virou e disse pra ele:

- Eu era menino de rua. E só tinha a rua. Estudei e hoje tenho esse emprego que me sustenta. Se eu consegui, tu consegues sobreviver. A diferença entre nós dois é que tu conheceste a riqueza e o conhecimento e agora está na sarjeta. Um vim dela. Talvez eu não me torne tão rico e culto quanto tu foste, mas certamente não vou me deixar abater a ponto de morar na rua e não mudar essa situação. Ficar de braços cruzados e deixar a vida acontecer não é viver.


- Da próxima vez, continuou o atendente, quando eu te vir menos abandonado, te dou um copo d'água gelado.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Replay

Pus no replay a música "A Fórmula do Amor" sem me dar conta.
Não sinto diferença entre trabalhar com e sem música, mas tenho que admitir que na hora de lavar uma louça, uma bela roupa e esfregar o fogão, ter um ritmo para te guiar é tudo de bom.
Me lembrei da expansão vicking, das naus tripuladas com colossais remadores que eram guiados pelo ritmo do tambor conforme a ordem do capitão da nau.
Eu estava assim: claro, anos depois da expansão vicking, embalada por uma música dos anos 80, no Brasil, em nossa Little Falls.
Muitos suores depois, a casa limpa e cheirosa ainda era invadida pelo insistente refrão.
Chega de música.
E foi-se mais um dia.


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Paula Fernandes


O vozeirão da Paula Fernandes não condiz com as lindas pernas curvilíneas e femininas que ela tem.

Há quem diga que talvez ela seja um homem que tenha feito mudança de sexo e, bem sucedido, canta muito.

Já ouvi falar que ela é meio um ser mítico, quase uma salamanca do jarau (vide em http://www.dana2.com.br/social/nossos_projetos.asp?idTag=1219&idProjeto=1239) aqui pra nós que somos gaúchos.

Mas curiosidades à parte, veremos se daqui a dez anos ela ainda estará arrebatando fãs e seus corações.

Esperaremos!