Estava teorizando o porquê do fim dos relacionamentos.
No início, quando estamos apaixonados, vemos a pessoa amada através de duas lentes: uma que maximiza as virtudes e outra que minimiza os defeitos.
Com o passar do tempo, as virtudes e os defeitos vão se tornando cada vez mais proporcionais, e quando nos damos conta, nem parece que temos ao lado alguém que um dia considerávamos insubstituível e excepcional.
Isso não é o indicador de que a paixão acabou.
A famigerada e velha tampa da privada urinada e a toalha molhada jogada na cama não são tão cruéis assim, que tenham o poder de desgastar inexoravelmente um relacionamento. Ou será que aquela paixão toda era somente um fogo de palha?
Daí passamos para o capítulo “Quem é o culpado?”
Começamos a procurar explicações plausíveis e racionais sobre quem foi o algoz do nosso tão idealizado amor. Nem sempre encontramos. Daí volta a história da tampa da privada, da toalha molhada, das coisas fora do lugar. O que era tão peculiar tornou-se uma chatice,
Ou estamos procurando causas para dar o fora desta empreitada que chegou ao fim?
Ninguém tem culpa, se acabou é por que tinha que acabar.
Ninguém ama outra pessoa a vida inteira.
As pessoas permanecem juntas por que têm afinidades e querem que dê certo seu projeto de vida, aceitando-se com os defeitos e qualidades já existentes.
Acho que o segredo de um “casamento feliz” é a tolerância mútua.