domingo, 2 de dezembro de 2012

Mulher rasa




       Uma pessoa me disse que eu era uma mulher sem ambições. Que pra me contentar bastava um prato de comida, uma cama pra dormir e um tico...
Achei engraçado na época, quase cheguei a me ofender.
Mas, depois de um tempo, cheguei à conclusão de que, basicamente, a plenitude se resume nisso: a satisfação das necessidades fisiológicas básicas de um ser humano. A criatura, autora do desaforo, não fazia ideia do quando isso me faz feliz.
Sou feliz com muito pouco. E agradeço a Deus e aos meus pais, minha família por não terem me criado uma mulher mesquinha e miserável, avarenta ou pródiga, por terem me feito ver que a gente deve viver em paz com as pessoas, mesmo que sejam RASAS e tenham poucas aspirações a alcançar.
Sobre quem me disse isso, posso afirmar que não me serviu como tico, nem como prato ou cama. É um espectro, um vislumbre que se apaga com o passar dos dias.
Serviu ao seu propósito no momento certo e saiu de cena para que eu pudesse fazer o meu espetáculo ter mais vida e música.


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