
Sinto um torpor tomar conta do meu corpo. Mas não é físico, é psíquico, sai da minha mente e se alastra em meus músculos que me convencem traidoramente a fechar meus olhos.
Sei que se eu sucumbir à minha vontade de dormir, talvez não acorde. Se acordar, terei a sensação de que fui vencido.
Joguei a toalha.
Caíram meus braços;
Estou vencido.
Estou cansado desta labuta diária que os porcos chamam de modernidade.
A vanguarda que me aguarda é podre, exigente, cansativa e faz adeptos em todas as classes sociais. Essa maldita que dita normas não-escritas e que tira o sumo do homem é a máquina da obsolescência, que coisifica o ser humano, e está atuando silenciosamente na mente das pessoas.
Ninguém se dá conta.
Todos têm simplesmente ceifados seus prazeres para que cada vez mais se adaptem ao mundo dos acéfalos teleguiados, por não-se-sabe-quem, a fim de consumir, consumir...
E o homem?
Está saindo da moda.
Agora, o que voga é o ter, e não o ser.
Dick Vigarista Balzachiano
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