Depois de uma bela sessão de tirar
barba, bigode e arrumar a sobrancelha, saí sem compromisso e fui
almoçar em um restaurante das cercanias da minha casa.
Lá encontrei uma grande amiga com os
dois filhos, a mãe e um sobrinho, todos compenetrados comendo
corretamente em pleno sábado.
Sem fast-food.
Sem batatas-fritas.
Sem shopping.
Lá pelas tantas, chega uma mulher
pela qual tenho certa admiração e começamos a conversar, todo
mundo junto, com o resto das pessoas do restaurante observando, e eu
gargalhava e falava alto, por que lá é um lugar muito aconchegante
e parece que estamos numa extensão da casa.
No fim do almoço, a tal que admiro
nos convidou a todos do papo para visitar o apartamento dela que
ficava a poucos metros dali.
Um apartamento simpático, prático e
cheio de objetos com muito significado para a dona e, eis que em um
quarto, havia uma montanha de livros extremamente bem organizados e
dispostos.
As crianças caíram para dentro
das caixas escolhendo um ou outro para ler ali mesmo, acocorados em
volta das caixas, sentados no carpete.
Daquele movimento, nasceu uma vontade
de ver os títulos. Achei um livro curioso cujo título é “203
Maneiras de enlouquecer um homem na cama”.
Pedi pra dona da casa, que de praxe
doa livros para todos os amigos leitores e ela de pronto me ofereceu.
Quando cheguei em casa, fui ler o dito cujo.
Fiquei encantada com a ingenuidade das
“maneiras de enlouquecer” que a autora descreve no livro.
Fui ver o registro do livro e, claro,
ele datava 1997, sendo esta a sétima edição.
O que me surpreendeu foi um primeiro
capítulo chamado “Uma palavra sobre sexo seguro”, na qual a autora fala
que quem está casado há muito tempo e que tem certeza de que ambos
são fiéis, pode-se deixar de usar camisinha.
Talvez por literaturas desse tipo é
que hoje, uma das maiores incidências de DST's diversas e AIDS,
ocorram em mulheres que são casadas, ou que mantém um parceiro apenas.
Baita vacilo.
Vamos ter que atualizar o acervo da
minha amiga.

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